top of page


Sou simone roSa 
(artista visual) 

Aqui apresento meu portfólio, que reúne minha produção poética. Inicio depoimentos de curadores, escritores, arquitetos e artistas, que dialogam criticamente com o meu trabalho. Na sequencia, apresento algumas narrativas autobiográficas, nas quais compartilho experiências que atravessam e fundamentam minha trajetória artística.
 

Simone Rosa 3.jpg
Simone Rosa 9.jpg
eu na exp AS CANIBAIS.jpg

Depoimentos

Artista plástica Sandra Knackfuss ( 2024) 

O comprometimento de Simone Rosa com o fazer artístico, a articulação cuidadosa de suas formas, volumes e cores, na criação de um universo gráfico, bem pessoal, fortalece e sedimenta sua trajetória como artista visual. Profissional dedicada, há anos se  propôs  a     experimentação, na busca não automatizada do domínio técnico, mas na garantia de um discurso poético, expressivo.

 

O movimento sofisticado de suas figuras, tecidos, objetos, móveis e arabescos, nos falam de um inquietante mundo, de uma artista, com riqueza interior, buscando a redenção com sua obra, seu fazer.  Na elaboração sensível, generosa de suas pinturas, o equilíbrio desejado é mentalmente experimentado, buscado  pelo olhar do espectador, permitindo  sua   participação, num ousado envolvimento com suas aladas e não estáticas figurações. Bravo, Simone !

 

Escritor e editor Paulo Tedesco (2023) 

Desafiar linhas e traços é desafiar a arte em sua origem, que é a origem da civilização, lá, nas cavernas e nos paredões de pedra. E o artista que se propõe a esse desafio, por consequência desafia a si mesmo, suas origens e primeiros rabiscos ainda na infância.

Esta fronteira, a do artístico e pessoal, não é definida por vontade tampouco por análises teóricas. Ainda que a teoria proporcione a leituras, a exemplo desta mesma aqui, é bom lembrar que a teoria vem, inusualmente, somente depois das revoluções. E não seria diferente na arte, porque o desafio reside muito além da imaginação: está nos materiais, obstáculos incríveis da criação.

Vejamos, Simone Rosa, artista de trabalho aqui comentado, tem uma longa trajetória artística. Mas o curioso que os traços e formas, as cores e seus enquadramentos desde cedo tiveram seu nome: sim, a tela era da Simone Rosa, sim, o projeto era da Simone Rosa.

A exemplo de outros grandes artistas contemporâneos e modernos, Simone Rosa é inquieta, não aceita rótulos, nem se resume adivagações filosóficas – importantes, é verdade, mas pouco reveladoras do fazer artístico. É, então, que Simone Rosa pula da tela, dos materiais, e radicaliza partindo para o reciclável, para a escultura, para o inesperado, e vai mais, aos poucos também dilui as figuras, os figurativos e as figurações em abstratos cada vez mais sinuosos, frescos, vivos, orgânicos e merecedores de demorada observação.

Ainda que o deleite não tarde, frente ao trabalho da Simone Rosa em silêncio sentimos a força e a impetuosidade, para não falar em desacomodamento, quando sua obra ataca as origens da humanidade, a linha e o traço, portanto. Porque, em Simone Rosa, suas cores e seus rumos, uma vez vistos jamais descolarão da memória. E pode ser dito, sua arte venceu, puxando o traço para amarrar a cada sonho e ilusão com destino ao novo. E isto é para sempre.

 

Jornalista e cartunista Augusto Frank Bier (2012)

A CAPTURA DA IGREJA POR CAUSA DA LUZ

Ela adentra o ambiente e percorre os olhos pelo ambiente. De início já causa pânico aos querubins, que tudo observam dos vitrais, onde são capturados. Ninguém pode atrapalhar o desfrute da luz. Em vão a virgem elevará os olhos em petição de socorro e São João Batista, quase perdendo a cabeça pela segunda vez, não terá tempo de avisar seu primo, que pende no altar-mor. Também os três capturam. A sombra fica melhor na cruz vazia. Uma santinha vestida de freira que impunha um lírio branco no altar da nave esquerda ainda tenta escapar apontando o dedo para Santo Antônio que, por sua vez, procura disfarçar a própria presença bem como a fama de casamenteiro.  Na outra nave lá do outro lado, Santa Terezinha, cujo altar está repleto de rosas vermelhas, olha apaixonadamente na sua direção, e nem percebe o perigo. Mais três caem. O sol fraco de inverno escorre pela nave principal e se esparrama pelas laterais, como se reproduzisse a paz de uma capela medieval. O olhar da artista prossegue a caçada passando pelos retábulos, murais, afrescos, pilastras, colunas, arcos, portais, lustres, confessionários, sepulcros, velas, oferendas, nichos, genuflexórios, subindo em busca de sinos e capteis. Lá das alturas, o Todo Poderoso a tudo observa, rodeado por uma legião de anjos robustos a tocar trombetas. O olhar da artista não se impressiona com o espetáculo e, no espanto do criador ante a ousadia da criatura, também Ele é preso de surpresa com todo o séqüito. Por fim, o templo inteiro desaparece, devorado pelos olhos da caçadora. A reaparição se dará em outro lugar, de outro jeito, devolvido através de outro olhar. Por obra de uma feiticeira pintora, conhecida pelo nome de Simone Rosa, em cujas veias, ao parece, corre um sangue que para sorte das artes e as gentes sensíveis jamais será derramado pela inquisição. 

 

​ Jornalista Larry Antônio Wizniewsky (2005) 

Ao ligar a superfície abrasiva das fachadas com o brilho etéreo dos vitrais, Simone Rosa realiza o sonho de todo artista: ver tudo, sob todos os ângulos, num único instante. A artista gera em cada tela uma síntese de templos, tempos e espaços através de criações fundadas em um princípio unificador: o opaco e o translúcido refletidos à velocidade da luz e multiplicados pela relatividade da emoção. A tela é o tempo da artista, e nela, interior e exterior são lados idênticos da mesma verdade estética.

 

Produtor cultural Claudio Troian (2008) 

Uma boa meia dúzia de obras de Simone Rosa orna com graça, leveza e perpetuação o lar em que habito.  A atmosfera gerada por matizes e formas sinuosas dos seres e coisas nelas representadas acaba por insinuar-se sutilmente no ambiente-espaço mental que divide salas, salinhas e saletas. Pessoas deleitam-se e deitam a pensar e a falar e a gerar. Aliás, cabe a pergunta: o que está no controle é a arte ou o artista? Pois, os que a conhecem pessoalmente, sabem que Simone Rosa é figura assim, aguarda silente o momento da explosão. Não premedita, antes reage ao estímulo exterior. No final das contas, jamais viverá monotonia. Tem lápis e papéis, tintas e pincéis. E um mundo para leitura.​ Daí que arte e artista nela se fundem em peça única. Fica divertido conviver com a percepção de que aqui há de fato uma simbiose escandalosa.  Quando o Humano encontra a Arte, abre-se o Universo de Infinitas Possibilidades. E Simone recria o mundo, para nosso deleite. E com prazer. Arrisco outra pergunta: você também tem um Simone Rosa em casa...?

 

Crítica de arte Nara Cristina Santos (1999) 

A pintura de Simone Rosa vem marcando um momento em seu percurso, quando apresenta a figura humana, mais precisamente o rosto (ou a máscara), recortado, inserindo uma alteração de planos, onde o espectador é chamado para uma identificação – a própria – através de um espelho.​ 

 

Esta aproximação da virtualidade da imagem no espelho, pode sugerir um momento de auto-reconhecimento, ao mesmo tempo em que convida a desvendar outros mundos. Hoje, podemos vislumbrar um redimensionamento no trabalho de Simone Rosa, quando a artista retoma o tema das fachadas arquitetônicas enfatizando uma nova espacialidade: o espaço surge fragmentado não apenas pelo traço, mas pela própria tela onde cada fragmento compõe o todo – a obra.

Jornalista João Manoel Oliveira (1994) 

Arte é sacerdócio.

O pedreiro, tijolo pós tijolo

põe de pé o prédio.

O artista é mais livre.

Constrói e destrói quando quer.

Simone Rosa é assim,

uma espécie de carpinteira do concreto,

que faz do pincel um aríete.

Desenha, sempre desenha.

Depois oblitera,

estraçalha perspectivas,

faz surgir luz dos desvãos.

Quem quer, vê.

Quem pode enxerga além.

Quem sonha, imagina por detrás.

Simone nos dá opção.

Cria uma doce e louca

arquitetura pintalgada.

Debocha da geometria.

Faz fachadas,

mais ou menos do jeito

que ela queria que o mundo fosse:

IMPOSSÍVEL.

 

Arquiteto e designer André Petry (1988)

Estas pinturas janelas mostram interiores que comentam o real através de objetos-móveis cotidianos, transformados não pelo olhar, mas pelo intelecto sensível às formas e cores. Transparências e padrões desestruturam a perspectiva, construindo espaços insólitos os quais só podem ser visitados à distância. Temos, assim, paisagens-cenários onde os objetos que as compõem são personagens de si próprios, revelando seu real interior.

Simone_Rosa4.jpg
Simone Rosa 2.jpg
15138577195510.jpg
20190802_165327.jpg
20190702_114847.jpg
IMG_20180125_120405_262.jpg
Simone Rosa 8.jpg

Nasci em Santa Maria/RS no último ano da década de 1960; portanto, tenho muitas histórias para contar, e aqui apresento algumas que se relacionam diretamente com a minha produção poética.

... Quando eu era pequena, meus avós paternos moravam em uma casa no campo, onde eu passava cerca de um mês das férias, antes de irmos para a praia. A casa ficava no alto de uma coxilha, o que fazia parecer que estávamos mais perto do céu. De dia, costumava observar os desenhos das nuvens; à noite, as estrelas: sentada em uma cadeirinha de madeira em frente à casa ou caminhando até a porteira (com uma parada obrigatória em uma grande figueira no meio do caminho). À noite, ao dormir, o meu céu eram as paredes do quarto iluminadas pela vela; ficava observando os desenhos das manchas formadas pelo tempo, nas paredes rosadas, cuja pintura a cal havia se desbotado. Esse céu particular, com sugestões diferentes a cada dia, permaneceu como referência simbólica na minha produção poética, inspirando diferentes produções poéticas.

... Minha mãe é arte-educadora e, quando eu era pequena, ela ainda cursava a faculdade e, às vezes, precisava me levar junto para as aulas. Guardo a lembrança de permanecer quietinha, desenhando ou modelando com argila. Anos depois, quando fui cursar Desenho e Plástica – Bacharelado, eu estava nos mesmos corredores e salas de aula, e, nos primeiros dias, minhas memórias da infância retornaram sob a forma de um estranhamento, pois tudo me parecia muito menor, diferente das lembranças nas quais tudo era enorme. Tal percepção evidencia o distanciamento entre a memória infantil e a experiência adulta do espaço. Deve ser por isso que, na minha produção poética, ao desconstruir ambientes e paisagens urbanas, eu nego deliberadamente a proporção, subvertendo escalas como estratégia expressiva.

...Quando fiz quinze anos, ganhei muitos presentes, e alguns deles guardo até hoje. Um deles é um espelho de mão com as bordas cheias de arabescos. Aquela moldura decorada acompanhou muitas alegrias e tristezas refletidas no meu olhar, em diferentes épocas, como se emoldurasse sentimentos. Esse gesto simbólico de emoldurar emoções e percepções também acompanhou diferentes séries da minha produção artística.

 

... Ingressei no curso de Artes querendo fazer escultura, pois, de tanto brincar com argila, estava acostumada a receber elogios sobre o realismo das minhas modelagens. A cada aula, fui percebendo que a expressão artística não estava na proximidade com a realidade, mas sim na autenticidade da intenção poética. Não via o tempo passar quando estava desenhando; sempre fazia muito mais desenhos do que era solicitado. Mesmo quando a proposta envolvia pintura, a linha, tanto em seu aspecto estrutural quanto formal, sempre predominava. Foi então que decidi cursar a habilitação em Desenho Artístico. Naquele momento, nem imaginava que o desenho, em sua teoria e treinamento, iria me acompanhar na docência em cursos de Design, assim como se tornar tema central em um dos mestrados e no doutorado que cursei.

 

... Durante a graduação, fiz parte do Diretório Acadêmico, onde atuei como tesoureira. Acompanhar o movimento estudantil despertou sentimentos que me levaram a diversos projetos sociais, ao longo da minha trajetória artística. Desde estudante, a minha produção artística contribuiu para arrecadar fundos para a revitalização de museus, teatros, bibliotecas e hospitais. No início da minha carreira, nunca imaginaria que um dia seria produtora cultural de um projeto social, na coordenação da ocupação de um CEU (Centro de Artes e Esportes Unificados), com atividades artísticas voltadas ao teatro, cinema, artes visuais e dança; ou mesmo atuando na coordenação da criação de murais e oficinas em escolas. Hoje sei que tudo começou com o envolvimento com o movimento estudantil, que plantou em mim a semente da empatia e da solidariedade.

NOTÍCIAS
no BLOG

bottom of page